Claudiomiro: morre o homem, fica a fama

Os amantes do futebol receberam com pesar a notícia do falecimento do lendário atacante Claudiomiro, aos 68 anos, ocorrido na noite de24 de agosto, em Canoas. Claudiomiro chegou ao Inter com apenas 13 anos. Estreou nos profissionais com 16 anos.

Solidário aos familiares, amigos e à torcida colorada, o Sindicato dos Empregados em Clubes e Federações Esportivas do Rio Grande do Sul (Secefergs) recorda o tempos em que o atacante brilhou com a camisa vermelha, nos anos 1960 e 1970, marcando gols e protagonizando jogadas espetaculares.

Presidente do Secefergs, Miguel salaberry Filho, destaca a atitude de Claudiomiro dentro do grupo e perante a torcida, como protagonista da instituição S.C. Internacional, dizendo que o jogador entendia o significado da expressão “vestir a camiseta”.
Em nota, Francisco Novelletto Neto, presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), lamentou a perda de Claudiomiro Estrais Ferreira, “um dos maiores centroavantes da História do S.C. Internacional”.

O INTER EM PESSOA

A empatia entre o Sport Club Internacional e Claudiomiro Estrais Ferreira é absoluta: o clube foi fundado em 4 de abril de 1909. O eterno camisa 9 colorado nasceu no dia 3 de abril de 1950, também em Porto Alegre. Em 6 de abril de 1969, no primeiro jogo sediado no Estádio Gigante da Beira-Rio, Claudiomiro, com apenas 18 anos, marcou o gol inaugural no amistoso entre o Internacional e o Benfica, de Portugal, na presença de jogadores famosos, como Eusébio e José Augusto Torres.

Chamado de Bigorna, no início da carreira, o camisa 9 fez parte de um ataque integrado por jogadores jovens, como Sérgio, Dorinho e Bráulio. Junto às notáveis características como centroavante, Claudiomiro era veloz e chutava com as pernas direita e esquerda.
Entre 1967 e 1973, Claudiomiro foi o dono da camisa 9 do Internacional. Ao marcar 210 gols, o atacante é o terceiro maior artilheiro do Inter, ficando atrás apenas de Carlitos (485) e Bodinho (235).

A LEMBRANÇA DE VALDOMIRO

A bigorna é um utensílio feito de aço, ferro forjado, ferro fundido ou outro metal semelhante, uma característica marcante na atuação de Claudiomiro, que enfrentava os zagueiros adversários com destemor, sem se intimidar com jogo duro. Em entrevista à Rádio Gaúcha, na noite em que Claudiomiro faleceu, Valdomiro Vaz Franco, o célebre camisa 7 do Colorado, lembrou da fibra do parceiro, que “não tinha medo das pancadas que levava dos defensores”. Os dois começaram no Inter na mesma época e formaram uma dupla como poucas no futebol brasileiro.

Além do Internacional (1967 – 1974), Claudiomiro defendeu as cores do Botafogo (1975 – 1975); do Flamengo (1976 – 1977) e do Caxias (1978 – 1978), encerrando a carreira no Novo Hamburgo, em 1979. O atacante conquistou os títulos do Campeonato Gaúcho de 1969, 1970, 1971, 1972, 1973 e 1974 pelo Internacional.

Renato Ilha, jornalista (MTb 10.300)