Congresso da UGT-PR debate perspectivas do sindicalismo

LONDRINA/PR – Sindicalistas de diferentes categorias profissionais e de ramos de atividade diversos lotaram o auditório do Sindicato dos Servidores Municipais de Londrina (Sindserv) para discutir o tema “Perspectivas do Movimento Sindical Frente ao Novo Cenário Político”. O encontro, realizado na tarde de 22/02, ocorre dias após a apresentação da proposta de reforma previdenciária do governo federal e desafia o movimento social a dar respostas ao processo de retirada de direitos.

A preocupação comum a todos foi manifesta pelo anfitrião Marcelo Urbaneja, presidente do Sindserv Londrina, que confia “na construção de uma linha que águie os passos do movimento daqui para a frente”. Urbaneja foi precedido por uma mensagem em vídeo do presidente nacional da UGT, Ricardo Patah, ausente em razão de do processo eleitoral no Sindicato dos Comerciários de São Paulo, entidade também presidida por ele.

Patah exaltou o dinamismo do sindicalismo que os ugetistas paranaenses emprestam à Central, dizendo que “O tom do Paraná é o tom do Brasil”. O presidente da UGT confirmou a presença no Seminário dos Servidores Públicos, marcado para acontecer no dia 21 de março, em Curitiba.

SINDICALISMO CLASSISTA

Ao pregar a retomada do sindicalismo de base, o presidente da UGT-PR, Paulo Rossi, saudou a disposição da unidade dos trabalhadores e do sindicalismo. Rossi, que também preside o Sindicato dos Empregados em Empresas de Prestação de Serviços a Terceiros, Colocação e Administração de Mão-de-Obra, Trabalho Temporário, Leitura de Medidores e de Entrega de Avisos no Paraná (Sineepress) pediu aos presentes que, de pé, homenageassem o ex-presidente da Federação dos Comerciários do Estado, Vicente da Silva, cuja trajetória em muito contribuiu para a construção da UGT paranaense.

Atual presidente da Federação dos Empregados no Comércio do Paraná e ex-presidente do sindicato de Maringá, Leocides Fornazza, expressou a apreensãoquanto à condição em que se encontra o sindicalismo brasileiro, a exemplo do que vem acontecendo na maioria dos continentes, a partir da ascensão de grupos conservadores.

Fornazza acusou a proposta de reforma previdenciária de “propaganda enganosa” e defendeu o uso estratégico das mídias sociais para fazer o convencimento. O líder comerciário acredita que a atuação junto à base dos parlamentares pode surtir efeito na pregação em prol dos direitos ameaçados.

Luis Carlos Silva de Oliveira, da Federação dos Sindicatos dos Servidores Públicos do Paraná, lembrou a quebra de promessas assumidas pelos governos sem o devido cumprimento. O dirigente alertou para os termos da reforma da Previdência, que, ao ser aprovada, aumentará o tempo de contribuição e fará com que seja preciso trabalhar mais e ocupar o lugar dos jovens. Oliveira convocou os servidores a pressionar os parlamentares para que o texto original da reforma seja alterado.

RETROCESSO TRABALHISTA

Iara Freire, da Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários do Paraná, era uma das muitas mulheres participantes da plenária. Para a sindicalista, “teremos uma grande batalha pela frente”.

Manassés Oliveira da Silva, da Federação dos Empregados em Asseio e Conservação do Paraná, pregou o encaminhamento de questões práticas que carecem de implementação, especialmente após a vigência da reforma trabalhista.

Representando Clair Spanhol, presidente Federação dos Trabalhadores em Cooperativas do Paraná (Fetracoop), Joel Martins Ribeiro, do Sindicato dos Cooperários do Sul do Parná, observou o quadro adverso da atualidade, em que as entidades sindicais lutam sem dinheiro contra as dificuldades criadas por sucessivos governos.

Na mesma direção, Antônio Vieira Martins, do Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços e Derivados de Petróleo de Cascavel e Região; Antônio Pontes, doSindicato dos Empregados no Comércio de Cianorte; Enetes Teixeira, dos Servidores de Pitanga, e MiromarPonciano de Andrade, do Sindicato dos Empregados no Comércio de Umuarama e presidente da Regional Noroeste da UGT.

CONGRESSO NACIONAL DA UGT

O debate e as deliberações do IV Congresso da UGT-Paraná serão levadas para o 4º Congresso Nacional da União Geral dos Trabalhadores, agendado para os dias 30 e 31 de maio, em Praia Grande, cidade litorânea do estado de São Paulo. A UGT defende a implantação de um Regime Único de Previdência, igualitário para todos os brasileiros. Essa equidade no Regime Único da Previdência é fundamental para inverter a lógica perversa de transferir para os mais pobres a responsabilidade por sustentar os privilégios de pequenas elites, como vem acontecendo desde que o sistema foi criado.

Quem quiser ter uma aposentadoria acima do limite fixado, pode participar do Fundo de Previdência Complementar, a ser instituído sem recursos públicos, que fique bem claro. E Esse esquema vale para o setor privado e para o setor público.

Estudos do Banco Mundial afirmam que a previdência brasileira é um enorme mecanismo de transferência de renda dos mais pobres para os mais ricos.

Renato Ilha, jornalista (MTb 10.300)