UGT-RS quer um posicionamento claro sobre os temas nacionais, inclusive nas eleições de 2022

Em novo encontro por videoconferência, realizado dia 21/06, a executiva nacional da União Geral dos Trabalhadores (UGT) reuniu lideranças de todo o país para debater os principais fatos da conjuntura nacional.

A um ano e meio do processo eleitoral que renovará cadeiras no Congresso Nacional, além da Presidência da República, houve a discussão sobre a necessidade de apoiar um projeto identificado com os interesses dos trabalhadores, em oposição ao grupo que ocupa a Chefia do Executivo nacional.

A presença de lideranças ugetistas que votaram em Bolsonaro e que reconhecem o equívoco desse posicionamento foi igualmente abordado no encontro virtual.

ENCAMINHAR AS DELIBERAÇÕES

Embora destacasse a importância da pluralidade, que levou a UGT a galgar a segunda posição entre as maiores centrais sindicais, Norton Jubelli acredita que hoje esse fator impede a entidade de avançar.

“Acho melhor que, mesmo que alguns venham a se afastar da nossa central, não percamos a essência do sindicalismo cidadão, ético e inovador que nos caracteriza”, disse o ugetista gaúcho.

Para ele, os quatro anos de Governo Bolsonaro, somados aos dois anos de Michel Temer na Presidência da República, representam um retrocesso de um século para a luta classista.

POSICIONAMENTO DEFINIDO

Jubelli reforçou a fala do vice-presidente da Central, Roberto Santiago, que prega a necessidade de haver um posicionamento definido a esse respeito, o que pode ocorrer na busca de candidaturas viáveis, que tenham condições de derrotar o atual presidente da República, cujo projeto liberal de extrema direita está massacrando a economia e, consequentemente, os trabalhadores, que estão perdendo os empregos, que são o principal sustento.

Lembrando que a UGT completa 14 anos de vida no dia 17 de julho e que nesse período houve três processos eleitorais em nível nacional, o presidente da UGT-RS discorda da atitude da executiva de liberar os filiados para apoiar quem quisessem.

“Ao final, ficamos de fora desses governos, pois não estávamos coesos em apoiar um projeto específico”, advertiu o ugetista, que defende a apresentação de um projeto a uma candidatura consequente e fazer parte do projeto, na prática.

ADVERTÊNCIA

Uma normativa do Ministério da Economia quer autorizar a negociação coletiva sem a presença dos sindicatos, diretamente entre trabalhadores e empresários. Caso transcorram 15 dias sem que sindicatos, federações e confederações se manifestem, o acordo será selado na Superintendência Regional do Trabalho.

“E há quem defenda esse governo no movimento sindical”, questiona o sindicalista, para quem as lideranças parecem despreocupadas com os reflexos do que acontece a partir das ações do governo federal, estando apenas interessadas em manter o próprio status partidário.

“Sempre discutimos a formação de uma frente, que requer transigência na composição dela. No chamado bloco progressista, não notamos essa intenção”, reclama Jubelli, que lamenta o descompromisso com o país e o povo.

Mesmo considerando que as entidades sindicais sejam instâncias menores, Norton Jubelli diz notar uma prática semelhante. Ele insiste na adoção de um posicionamento claro, mesmo com o risco de fragmentação.

Renato Ilha, jornalista (Fenaj 10.300)